Como reconhecer uma Alma Gémea

O mito das Almas Gémeas, embora divino e romântico, traz acoplado a ideia de incompletude do ser humano, de uma metade que nos falta. Razão da nossa busca por essa tal pessoa especial que nos devolverá essa sensação de completude. Ora, os mitos surgem ou surgiram na antiguidade pela necessidade de trazermos razoabilidade a algo que não sabíamos efetivamente explicar. Como acontecia quando chovia em demasia, e se justificava esse fenómeno como resultado da tristeza dos deuses. A nossa incompletude, esse vazio que o ser humano sentia, precisava de uma explicação. E a explicação aludiu à divisão do ser humano em dois por parte de um deus, por forma a tornar os seres humanos menos ousados.

O que podemos nós hoje em dia retirar do mito das Almas Gémeas? Será real ou não faz qualquer sentido? Faz todo o sentido, mas para bem da nossa saúde relacional, importa descermos à terra.

Diz o filósofo e padre jesuíta Teilhard de Chardin que “Não somos seres humanos a viver uma experiência espiritual” diz antes que “…somos seres espirituais a viver uma experiência humana”. Esta sua máxima, transmite o conceito incluso na linguagem astrológica, e deixa uma mensagem de esperança a cada ser humano: somos todos seres especiais, seres divinos, daí precisarmos desta experiência terrena com o propósito de consolidarmos o nosso Ser, a nossa Alma, conforme o mapa astral de cada um.

Eis então o ponto chave a ter em conta neste conceito da Alma Gémea: a nossa incompletude, a sensação de nos faltar algo, a necessidade de nos consolidarmos, faz parte de cada um de nós, de todo o Ser que nasce neste plano material, e nenhuma Alma Gémea pode resolver um processo que a cada um diz respeito.

A Alma Gémea é alguém que nos devolve essa sensação de completude, justamente e somente porque sentimos estar no caminho certo ao lado dessa pessoa. A Alma Gémea enraíza-nos, seja ela um parceiro romântico, um filho, um amigo ou familiar próximo. Tão só porque o amor auxilia na jornada e salva.

Acontece que por vezes – na verdade imensa vezes – as tais pessoas especiais com quem sentimos uma tremenda cognição partilhada no amor romântico e/ou na cumplicidade vivencial, afasta-se. Essa ligação chega ao fim para infortúnio (aparente infortúnio) de ambos ou de um só.

É neste âmbito que precisamos regressar à ideia de incompletude e da necessidade de consolidação do nosso Ser. Há pessoas que amamos imenso, com quem sentimos uma ligação deveras profunda, ainda assim, essa ligação tem as suas próprias problemáticas. Essa ligação pode – por exemplo – mexer connosco, agitar-nos, tirar-nos da letargia num dado aspeto do nosso Ser. Trata-se de uma relação promotora de mudança. A presença dessa pessoa traz por si só essa exigência de transformação pessoal. Num sentido divino, essa pessoa, vem operar um certo milagre em nós por força desse amor, de uma ligação oriunda das estrelas. Ao longo do tempo, a nossa consolidação vai acontecendo, vamo-nos tornando seres mais integrados e resolvidos num determinado aspeto interior que precisava mudar.

Consequentemente, ou melhor dizendo, felizmente e apaixonadamente, essa Alma Gémea com quem vivemos ou, no caso de termos ficado solteiros, a próxima Alma Gémea que podemos atrair, deixam ambas de ter esse papel na nossa vida, de Almas promotoras de mudança, mas um papel de caminho conjunto, de partilha, de amor que nutre e acrescenta. São uma autêntica bênção.