Nos meus últimos anos de prática astrológica, e de conversas pontuais que vou tendo com pessoas que se vão cruzando comigo, deparo-me com várias pessoas solteiras que nunca encontraram a tal pessoa “especial”.
A certa altura, percebi que algumas dessas pessoas consideram que a vida não as quer premiar com o amor romântico, com esse projeto de vida que se constrói a dois. Que deve ser uma questão de karma, algo que precisam “pagar” ou “sofrer” para se encontrarem nessa condição e os outros não. Começam a pensar que o problema é delas! E claro, perante as circunstâncias, é muito fácil descortinar mil e uma razões para não se ter acesso a tão digno sentimento.
Preciso dizer umas palavras aos leitores deste artigo, sobretudo aos que se possam encontrar nas circunstâncias mencionadas:
A falta dessa pessoa na sua vida pode ser tão útil para si, como é útil a presença de alguém na vida de outra pessoa! Não se iluda. Quem nunca construiu um projeto a dois não está necessariamente pior do que uma pessoa que o tenha feito. E quem está envolvido numa relação de longo prazo não está necessariamente melhor do que quem está na primeira condição.
Estar solteiro pode estar a levá-lo (ao leitor que se revê neste desapontamento) para um determinado ponto da sua existência. Um determinado ponto do seu Ser. Estar solteiro pode estar (mais uma vez) a pedir-lhe que entre noutra camada da sua “possível e necessária” realidade. Que construa uma parte de si que ainda precisa dessa condição. Não desespere. Respeite o seu processo. Mas sobretudo, interrogue-se: Estarei a fazer o suficiente em relação a mim próprio ou estou estagnado?
Há casais que fazem os seus próprios processos “transformadores” na companhia um do outro. Quase sempre, importa dizer, com uma série de dias de costas voltadas. Não haja ilusões quanto a isso. Há processos pessoais que são impulsionados pela presença de outra pessoa, e outros, pela ausência.
Nenhum mapa astral diz que uma pessoa nasceu para ficar solteira, como nenhum mapa diz que uma pessoa nasceu para ficar acompanhada. Embora existam signos, isto é, “energias” e aspetos que conferem a certas pessoas uma maior propensão para viverem solteiras.
Se o leitor tem esse desejo na sua vida, se esse é um dos seus objetivos (encontrar alguém, ter um projeto a dois) continue a trilhar o seu caminho. Faça algo. Pode estar a meses, quiçá a dias, de tal “objetivo” acontecer.
Nuno Rodrigues Oliveira

