O fazendeiro astrológico

Esta história, oriunda da China, pode ajudar a explicar um dos melhores benefícios que pude retirar da minha experiência astrológica. E que teve grande impacto na minha vida. Vamos então à história.

Um fazendeiro e seu filho tinham um cavalo fantástico que ajudava a família no cultivo da terra. Um dia, durante uma forte tempestade, esse cavalo fugiu. No dia seguinte, o vizinho disse para o fazendeiro: “Que grande azar!” Ao que o fazendeiro respondeu: “Sorte, azar, não sei, talvez”.

Alguns dias depois, o cavalo reapareceu, trazendo alguns cavalos selvagens a seu lado. O vizinho, ao ver tantos cavalos juntos, disse: “Que sorte que você teve!”. E logo o fazendeiro respondeu: “Sorte, azar, não sei, talvez”.

Na mesma semana, o filho do fazendeiro estava a tentar domar um desses cavalos selvagens, quando caiu e partiu sua perna. Novamente, o vizinho exclamou: “Que grande azar!” Ao que o fazendeiro respondeu: “Sorte, azar, não sei, talvez”.

Algumas semanas depois, soldados do exército nacional marcharam pela cidade, recrutando todos os jovens disponíveis. Mas o filho do fazendeiro não estava em condições de ser recrutado, uma vez que estava com a perna partida. O vizinho gritou: “Que sorte que você teve!”. E o fazendeiro, ao ouvir novamente aquelas palavras, respondeu: “Sorte, azar, não sei, talvez”.

Esta história retrata uma das melhores constatações que a astrologia me trouxe. Falo em concreto do conceito do que é positivo e do que é negativo nas nossas vidas. A astrologia deu-me uma perspetiva completamente oposta aquela que eu tinha há quinze anos atrás.

Há pessoas que nos trazem aparentemente coisas positivas. Um pai (mãe) que nos dê dinheiro sempre que precisamos, é positivo. Sem grandes reflexões podemos dizer que sim!

Se uma pessoa for promovida no seu trabalho (empresa), para uma função de grande importância e destaque, é deveras positivo. Creio que podemos dizer que sim!

Pelo ponto de vista contrário, se tivermos na nossa vida, no nosso quotidiano, alguém próximo que nos diminui constantemente, que nos reduz, podemos dizer que é negativo. Sem grandes reflexões podemos dizer que sim!

Um patrão que nos despeça também é, aparentemente, negativo. Creio que podemos dizer afirmativamente que sim!

Contudo, do ponto de vista astrológico, isto é, tendo em conta a dinâmica de consolidação da nossa alma, podemos constatar coisas diferentes. Vejamos como seria se existisse um fazendeiro astrológico:

Um pai que dê dinheiro a um filho, sempre que este precise, torna o filho menos independente. No lado oposto, um pai/mãe que não dê a um filho o dinheiro que ele quer, origina com o tempo um filho mais desenrascado nesse campo, logo mais capaz de garantir o seu próprio sustento. Portanto, ter um pai (mãe) que forneça dinheiro sempre que um filho(a) precise, pode não ser positivo.

Uma pessoa ser promovida para uma função de larga importância e destaque, só se pode dizer que é positivo se a pessoa mantiver a sua qualidade de vida. Se essa função implicar menos tempo ao lado de quem ama, menos disponibilidade para si próprio, mais stress, etc, já não seria positiva uma tal promoção.

Alguém próximo que diminua uma pessoa frequentemente, (com quem o convívio diário seja necessário por n razões), irá desenvolver nessa pessoa uma falta de amor próprio, porventura falta de auto-estima. Mas se a pessoa diminuída, a certa altura, tiver consciência de si própria – normalmente acontece num certo período da sua vida – começa a fazer o caminho contrário. Essa pessoa adversa ser-lhe-á útil, muito útil nesse seu trajeto. Irá ajudá-la a perceber a falta de amor próprio com que nasceu, e o quanto precisa trabalhar nesse aspeto pessoal. Ao fim de um tempo, essa pessoa saberá melhor do que ninguém o seu valor próprio.

Um patrão que nos despede, pode originar uma reação positiva, e a pessoa que está agora desconfortável, insegura, vê-se agora na iminência de repensar o que fazer. Quantos negócios de sucesso já surgiram assim? Ou quantos empregos agradáveis surgem depois deste empurrão?

É sempre bom ter ao nosso lado alguém que nos ama, alguém que nos apoia. É bem positivo. É uma bênção!

Mas o leitor esteja seguro do que lhe digo: há imensas coisas que só desenvolvemos em nós porque nunca nos foram dadas, porque nunca nos foram facilitadas.

Portanto, olhe para uma dada situação na sua vida que goste menos e pense como se fosse um fazendeiro astrológico: Positivo, negativo, não sei, talvez!