O homem que não sabia dizer amo-te

Há uns tempos, num jantar com um amigo próximo – a viver uma fase menos agradável do seu relacionamento – partilhou parte do que se passava na sua relação num desabafo meio sentido: Estou sempre a dizer-lhe que a amo, estou sempre a enviar-lhe mensagens, e ela ainda tem dúvidas? Diz-me que não estou comprometido na relação?! Ao ouvir tais palavras, e levado pela força do hábito, ao invés de emitir uma opinião pessoal, socorri-me dos meus conhecimentos de astrologia por saber que a posição de determinados astros no mapa astral, determina a linguagem afetiva de cada pessoa. E disse-lhe: De nada vale oferecermos uma caixa cheia de ouro a uma criança, se o que a criança reconhece são brinquedos.

O signo em que a nossa Vénus está posicionada, bem como a posição da lua, diz-nos muito sobre o que cada pessoa valoriza e necessita a nível afetivo, e por sua vez, caracteriza a linguagem do amor de cada um. Ao nível do cupido, pouco importa se deixámos a cama feita e a loiça lavada, para expressarmos o quanto gostamos da outra pessoa – típico de quem nasceu com a vénus no signo de virgem – se a outra pessoa interpretar tal ato como uma mera ação quotidiana, uma rotina a cumprir. Tal como deitar o lixo e lavar o carro. Na mesma linha, uma pessoa com a vénus no signo de caranguejo, reconhece um amo-te em gestos de carinho: num abraço sentido ou numa festa no rosto num momento mais íntimo, ou simplesmente, quando quem amam se aconchega no sofá a seu lado. Esse tipo de expressão afetiva, numa frequência constante, acaba por transmitir ao outro um genuíno amo-te, pois esse amo-te é mais cinestésico.

Já uma pessoa com uma linguagem afetiva caracterizada pelos signos de fogo valoriza experiências com propósito. E nesta linha, se queremos dizer amo-te, podemos oferecer, por exemplo, uma viagem a um local onde decorreu um filme que ambos adoraram ver juntos. O meu amigo ficou surpreso, e depois de um valente trago de cerveja, exclamou meio furibundo: Então só quem sabe dessas coisas da astrologia é que sabe dizer amo-te?

Nada mais errado – respondi-lhe – se tu gostas de bacalhau com natas e o prato favorito dela é arroz de polvo, não vais continuar a fazer bacalhau com natas! Não faz sentido, por muito que gostes! Vê lá: tu reconheces o afeto dos outros por via das palavras, uma característica de quem nasceu com vénus em signos de ar. Portanto, tens de perceber o seu dialeto afetivo, com a mesma simplicidade com que descobriste a refeição que ela mais aprecia! Estou-te muito grato amigo pelas tuas orientações! Muito grato! – disse ele no fim do jantar, notoriamente ansioso por regressar a casa e obter resultados. Mas espera! – disse eu de súbito – Deixa-te lá de palavras e começa já a treinar uma vénus em touro!

Ele olhou para mim de olhos esbugalhados. E sem mais, estendi-lhe a conta…

Nuno Rodrigues Oliveira
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