Quando o céu nos revela o nosso nome do meio

No filme No Limite de Amanhã, protagonizado por Tom Cruise e Emily Blunt, deparamo-nos com um planeta terra invadido por seres alienígenas – uma raça impiedosa e bem astuta designada por Alfas e Mimics. Um género de filme que nada tem a ver com os conteúdos que se encontram neste blog, exceptuando – claro está – dois aspetos relevantes e valiosos, para quem aprecia os caminhos da espiritualidade.

Tom Cruise faz o papel de Bill Cage, um assessor de imprensa do exército. Acontece que se vê – contra a sua vontade – obrigado e forçado a ir para o campo de batalha. Mesmo sem quaisquer competências de combate, e gravemente ferido ao fim de uns minutos, na iminência de morrer, consegue detonar uma granada sobre si próprio antes de um Alfa lhe tirar a vida por completo. O facto de entrar em contacto com o sangue do espécime, acaba por lhe dar uma enorme competência a partir desse momento. O domínio do tempo, ou seja, a mesma competência dos alienígenas e a razão do sucesso da espécie. Sempre que Bill morre, o dia começa de novo no exato momento em que ele acordou nesse dia. E aqui está o primeiro aspeto digno de ser mencionado: ele acorda todos os dias, sempre que morre. E tudo se repete, mais uma vez entra em combate e morre, e volta a acordar no mesmo local. E tudo se repete. Esta é a primeira semelhança com as nossas vidas.

Todos os dias, tudo se repete, o que fazemos bem e o que precisamos ver. O sol nasce e cada um de nós tem a oportunidade de melhorar, de ganhar competências, de integrar novos elementos que permitem concretizarmos a nossa própria originalidade pessoal. Bill, quando se mentaliza que não sai daquele ciclo infindável de viver e morrer, acaba por agir. Encontra então a guerreira mais destemida, Rita, protagonizado por Emily Blunt. Ao pedir lhe ajuda com o treino, Rita não estranha o pedido pois já teve em tempos essa mesma competência – de fazer recomeçar o dia. Os treinos vão sucedendo e os combates também, e Bill vai conhecendo a instrutora cada vez mais, mesmo que acabe sempre por morrer em combate e tudo comece de novo. O filme revela muito bem este continuo ciclo de vida e morte e recomeço, e de aquisição e integração de conhecimento. Vamos então ao segundo aspeto. A dada altura, o par de combatentes já avançou no combate mais do que alguma vez tinha conseguido. Viajam de carro, com Rita ao volante. Bill, numa tentativa de aproximação de Rita, diz-lhe saber o seu nome do meio: Payton.

Rita, que só tem vontade de combater e não tem tempo para qualquer tipo de conversa, apenas pergunta: Quem te contou isso? Ele diz-lhe que foi ela (recorde- se que Rita não se lembra de qualquer outro dia já vivido entre eles, pois só Bill tem a capacidade de reviver os dias). Rita diz-lhe prontamente que ele está errado.

Pouco depois, acabam por ficar sem combustível e encontrar uma casa abandonada, onde Bill lhe prepara um café, ainda que Rita se mostre tentada a acabar com aquela convivência descansada e cúmplice, quando se está em guerra. Quando Bill coloca dois cubos de açúcar no café de Rita (mesmo a seu gosto), ela apercebe-se de que já devem ter estado ali mais vezes, e que ele apenas quer dilatar aquele momento. Sendo a mais destemida combatente do exército, levanta- se de súbito pois tem um velho helicóptero estacionado no exterior. Bill adverte-a de que já viveram aquela situação várias vezes e que nunca conseguem sair dali. Está agastado e extenuado pois a luta contra os Mimics é impossível. Ela já dentro do helicóptero, na iminência de partir, dá-se conta das últimas palavras dele: Não consigo mais ver-te morrer! Ao perceber o que estava a acontecer, o amolecimento do companheiro, a desistência, a falta de propósito, de sentido, determinada, levanta voo disposta a continuar o combate. Mas tudo acontece como ele referiu.

Um alienígena surge e ela é cuspida pelo ar para fora do helicóptero. E morre. Antes de Rita morrer, um par de segundos antes, Bill envolve a sua mão, e ela, antes de fechar os olhos definitivamente, diz-lhe: O meu nome do meio é Rose. E como se imagina, tudo muda em Bill. O cansaço, a descrença, a tristeza, a falta de sentido, a ligação a um propósito. Ele volta a acreditar, a fé renasce! E bum! Parte com Rita! E o dia volta a nascer… Assim acontece com a astrologia, algo muda em nós, quando o céu nos revela o nosso nome do meio.

 

Nuno Rodrigues Oliveira

www.nunoroastrologia.com